Introdução
O Brasil é um verdadeiro mosaico cultural, formado pelo encontro de povos indígenas, africanos e europeus ao longo da história. Entre essas influências, a africana ocupa um papel fundamental. A contribuição do continente africano está presente em nossa música, culinária, religiosidade, costumes e, principalmente, na língua que falamos diariamente.
O que muita gente não sabe é que milhares de termos do português brasileiro têm origem em línguas africanas como o quimbundo, o quicongo e o iorubá. Muitas dessas palavras entraram para o vocabulário popular e hoje são tão comuns que quase esquecemos de onde vieram.

Neste artigo, vamos explorar 13 palavras de origem africana que você usa e não sabia, mostrando como a influência africana continua viva e pulsante no nosso cotidiano.
A influência das línguas africanas no português
Entre os séculos XVI e XIX, milhões de africanos foram trazidos ao Brasil, principalmente da África Ocidental e Central. Eles falavam línguas diversas, mas as mais presentes eram do grupo banto (como quimbundo e quicongo) e do iorubá.
Essas línguas se misturaram ao português em diferentes contextos:
- No trabalho: especialmente na agricultura e nos engenhos, surgiram termos ligados à alimentação e ao cultivo.
- Na vida familiar: palavras afetuosas e de convivência foram incorporadas ao dia a dia.
- Na religiosidade: termos do candomblé e de outras práticas chegaram até hoje.
- Na música e dança: muitas palavras ligadas a ritmos, instrumentos e festas são de origem africana.
Esse processo de fusão linguística criou um português único, que diferencia o Brasil de outros países lusófonos.
13 palavras de origem africana que você usa no dia a dia
1. Samba
Origem: quimbundo semba (umbigada).
O samba é o maior símbolo da música brasileira e nasceu da fusão das tradições africanas com o contexto urbano do Rio de Janeiro.
2. Cafuné
Origem: banto.
Significa “carinho feito na cabeça com as mãos”. Um gesto de afeto muito comum entre famílias e casais.
3. Moleque
Origem: quimbundo mu’leke.
Quer dizer “menino”. Embora já tenha sido usado de forma pejorativa, hoje é comum em contextos informais.
4. Fubá
Origem: quimbundo fuba.
Farinha de milho fina, usada em pratos típicos como o famoso bolo de fubá.
5. Quitanda
Origem: quimbundo kitanda.
Designa o pequeno comércio de frutas, verduras e produtos do dia a dia. Muito usada no interior do Brasil.
6. Cachaça
Origem: quimbundo kasasa.
Bebida fermentada de cana, símbolo da cultura brasileira, consumida em festas populares e base da caipirinha.
7. Banguela
Origem: banto.
Quer dizer “sem dentes”. É usada principalmente para crianças ou adultos que perderam dentes da frente.
8. Muvuca
Origem: quimbundo mvuka.
Significa aglomeração de pessoas. Hoje usada tanto para “festa animada” quanto para “confusão”.
9. Quilombo
Origem: quimbundo kilombo.
Na África, acampamento de guerreiros. No Brasil, tornou-se o nome das comunidades de escravizados que resistiam à opressão.
10. Zumbi
Origem: quimbundo nzumbi, espírito ou ancestral.
Aqui, ficou eternizado em Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra a escravidão.
11. Axé
Origem: iorubá.
Quer dizer “energia vital” ou “força espiritual”. Hoje usado em religiões afro-brasileiras e até em cumprimentos.
12. Dengo
Origem: banto.
Significa carinho, mimo ou afeto. É uma palavra muito usada em músicas e expressões amorosas.
13. Caçula
Origem: quimbundo kasula.
Quer dizer “filho mais novo” da família. Até hoje é a forma mais comum de nomear o último filho.
A importância cultural dessas palavras
Essas 13 palavras representam apenas uma fração do legado africano no português brasileiro. Ao reconhecermos sua origem, valorizamos:
- A resistência dos povos africanos que, mesmo diante da escravidão, mantiveram viva sua cultura.
- A diversidade da nossa língua, que se torna mais rica com cada influência.
- A identidade nacional, construída a partir da mistura de diferentes povos.
Benefícios práticos de conhecer essa herança
- Educação e consciência histórica: ajuda a combater o racismo e a invisibilidade cultural.
- Valorização da diversidade: fortalece a compreensão de que o Brasil é plural.
- Orgulho cultural: amplia o sentimento de pertencimento a uma herança múltipla.
Comparações com outras influências
Assim como usamos palavras de origem tupi (como “pipoca” e “abacaxi”), também usamos africanas todos os dias.
Enquanto as palavras indígenas estão mais ligadas à natureza, as africanas predominam em áreas como:
- Afeto e família (cafuné, dengo, caçula).
- Alimentação e bebidas (fubá, cachaça, quitanda).
- Música e espiritualidade (samba, axé, zumbi).
Exemplos práticos do uso cotidiano
- No dia a dia: “Vou fazer um bolo de fubá para o lanche.”
- Na família: “Ele é o caçula da casa.”
- Na música: “Samba e axé são ritmos que nasceram da cultura africana.”
- Na conversa informal: “Tava uma muvuca no centro da cidade hoje.”
Essas frases mostram como a herança africana se mistura naturalmente à fala do brasileiro.
Links úteis
- Interno: Leia também nosso artigo sobre * lugares do Brasil que você não conhece.
- Externo: Consulte o Portal Etnolinguística para conhecer mais sobre a origem das palavras.
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FAQ – Perguntas frequentes
1. Quantas palavras de origem africana existem no português brasileiro?
Mais de mil palavras foram incorporadas ao português do Brasil a partir das línguas africanas.
2. Quais línguas africanas mais influenciaram o português?
Principalmente quimbundo, quicongo (grupo banto) e iorubá.
3. Por que tantas palavras estão ligadas à música e à comida?
Porque eram áreas fundamentais da vida dos africanos no Brasil, que transmitiram sua cultura por meio delas.
4. As palavras ainda mantêm o sentido original?
Algumas sim, outras ganharam novos significados no Brasil.
5. Essas palavras estão presentes em outros países lusófonos?
Em menor escala. No Brasil, a quantidade é maior devido à intensidade da presença africana.
Conclusão
As 13 palavras de origem africana que você usa e não sabia mostram como a cultura africana está profundamente enraizada no português do Brasil. Mais que termos linguísticos, elas são símbolos de resistência, identidade e diversidade.